Cuba – O que fazer em Havana

Olá queridos leitores!

Hoje vou falar um pouquinho mais de Havana, a capital de Cuba. Quando me perguntam se eu gostei de lá, me dá um nó na cabeça. É estranho, mas eu não sei mesmo responder. Eu não sei se gostei ou não, mas com certeza amei ter conhecido, e tenho noção de que essas são duas coisas completamente diferentes… acho que foi muito importante pra mim o confronto com aquela realidade. Por isso, se eu tivesse que dar um conselho a quem está indeciso se conhece ou não a Ilha de Fidel, com certeza seria o de “se joga!”. Porque aquele é o tipo de lugar que só conhecendo mesmo pra entender, cada um tem sua própria visão e vale a pena tirar suas próprias conclusões sobre a realidade que se apresentará diante de você.

A primeira impressão quando se chega em Havana é a de que você viajou não só no espaço, mas também no tempo. Você imediatamente volta à década de 50, quando Fidelito tomou o poder. Carros antigos (e lindos!), outros carros antigos (e caindo aos pedaços), prédios antigos lindos também e outros tantos abandonados à própria sorte. Uma canadense que conhecemos em Varadero definiu Havana assim: “Parece uma Barcelona que foi bombardeada”. Eu não sei se isso procede, afinal ainda não fui a Barcelona, hehe, mas que parece uma cidade linda que acabou sair de uma guerra, ah, isso parece.

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Carros no estacionamento do aeroporto de Havana. Em que ano parece que estamos mesmo?

Eu percebi duas coisas positivas quando estive lá: a primeira é que realmente o povo é bem educado, todos com quem conversamos, por mais simples que fossem, falavam super bem sobre qualquer assunto. E conheciam muito do Brasil! Era só falar que éramos brasileiros e os olhinhos deles brilhavam! Tudo graças às novelas da Globo, que são sucesso absoluto por lá. Quando fui, a novela da vez era “A Favorita”, do João Emanuel Carneiro, só que o governo cubano deu uma de Silvio Santos e resolveu tirar a novela do ar, de um dia pro outro, sem mais nem menos! O povo, claro, ficou órfão do seu momento de lazer preferido e t-o-d-o m-u-n-d-o me perguntava sobre a novela quando me via, juro, era homem, mulher, velho, criança, todo mundo queria saber se a vilã era a Flora ou a Donatela… Eu, noveleira que sou, sabia tudinho que tinha acontecido e contei a novela toda pra eles… hahahaha!

A segunda coisa bacana é que, apesar da pobreza, não me senti insegura em nenhum momento enquanto estive por lá. Nós, aqui no Brasil, estamos acostumados a associar pobreza à violência, e lá não foi assim. Acho que porque o governo pesa a mão contra a bandidagem, então eles pensam duas vezes antes de roubar, por exemplo. Conversando com alguns locais, vi que eles respeitam muito o regime, mas não necessariamente porque simpatizem com ele, mas sim por temor. O povo é como aquela criança que é obediente não porque gosta do pai e quer vê-lo feliz, mas porque tem medo do castigo que ele vai impor, sabem?

Mas também vi e ouvi – muitas – coisas que não foram bacanas de digerir… Muita pobreza, casas caindo aos pedaços, histórias tristes de como sobrevivem com a cesta básica que lhes é permitida comprar por mês etc. Ouvir essas histórias que o povo estava louco de vontade de te contar era muito legal, mas era também um tapa na cara. Talvez fosse legal justamente por isso, não sei, muito paradoxal tudo lá.

Se você, querido leitor, resolver viver essa experiência diferente antes que o regime acabe, prepare-se para ser abordado por cubanos de 5 em 5 segundos enquanto estiver andando pelas ruas de Havana. Tem gente que pede dinheiro, outros pedem sabonete e pasta de dente, muitos te oferecem charutos falsificados – cuidado com os golpes! – e tem ainda aqueles que se oferecem pra tirar uma foto com você (cobrando por isso, claro!).

Pra se locomover por lá não tem jeito, você vai acabar andando muuuuito a pé e usando o táxi mesmo. Tem uns táxis mais novos, legalizados, digamos assim, com taxímetro e tudo. Mas a maioria dos táxis é feita de carros normais mesmo, placa amarela, de gente que tá “fazendo um bico” como taxista. Esqueça o taxímetro, os motoristas sempre cobram um preço fechado pra te levarem aos lugares (mas não é caro não, uma corrida acaba ficando em torno de 5 CUCs). Existem também os ônibus e os almedróns, que são carros particulares que dão “carona” e cobram em pesos cubanos. Esses são meios de transporte muito usado pelos nativos, mas nada impede que os turistas usem também. Se resolver usar tanto os ônibus quanto os almedróns, saiba que você até pode pagar em CUC, mas se tiver troco vai receber em pesos cubanos… E não se esqueça nunca da conversão: 1 CUC = 24 ou 25 pesos cubanos!

Mas o meio de transporte que eu mais gostei disparado foram os cocotáxis. Gente, é demais! Hahaha! É tipo uma mobilete com uma “roupinha” de coco, que transporta duas pessoas. Acaba sendo um meio de transporte caro, porque custa o mesmo do táxi e só cabem dois, enquanto num carro cabem até quatro. Mas quando viajamos tudo é motivo de festa, então até corrida de cocotáxis a gente fazia! Os motoristas amavam, porque a gente dava um “incentivo” pra eles ganharem a corrida, sempre dávamos uns 2 CUCs a mais praqueles bem humorados que topavam a brincadeira… rs…

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Cocotaxi, diversão garantida! hahaha

Eu me hospedei numa região da cidade chamada Vedado, que é a área mais “moderna” da cidade, com muitos prédios mais altos, comércio abundante, escritórios comerciais e hotéis. O hotel que eu fiquei é bem famoso na cidade, chama-se “Hotel Tryp Habana Libre”. É um hotel bem antigo, da década de 50, e originalmente se chamava “Hilton Habana” e era, como muitos, um hotel cassino. Com a Revolução em 1959, Fidel “tomou” o hotel, o nacionalizou, fechou o cassino e mudou seu nome. Hoje é do Grupo Meliá, e foi renovado nos anos 90. É um hotel velho, mas até que limpinho. Os quartos eram grandes, banheiro decente, enfim, não é o melhor hotel que eu já fiquei, mas também não foi nada tão ruim assim. Dá pra encarar fácil.

O problema lá é o preço. Paga-se caro por hotéis melhorzinhos (que nem por isso são bons de verdade), por isso uma opção comumente usada por turistas são as casas de particulares… Muitos cubanos transformam suas casas em hospedarias e recebem os turistas. Há algumas, inclusive, bem cotadas no Trip Advisor, e essas pousadas têm o plus de permitirem um maior entrosamento com os cidadãos locais.

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Hotel Tryp Habana Libre, com o quarto espaçoso – e bagunçado, mas isso foi culpa nossa… rsrs – e numa maquete bem fiel, que fica no lobby

A região mais “turística” da cidade, digamos assim, é a conhecida como “Habana Vieja”, que é onde nasceu Havana, o seu centro velho. Essa parte da cidade foi restaurada e concentra grande parte das atrações turísticas, praças, restaurantes etc. a serem visitados. Foi declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1982, e não tem como ir a Havana sem dar uma passeadinha por lá! Por ali você vai encontrar:

- Calle Obispo: é a rua mais famosa de Cuba. Ali você encontra de tudo: restaurantes, montes de lojas de souvenirs pra trazer de presente etc. No começo dessa rua fica um Centro de Informações Turísticas, uma boa pedida é já sair de lá com um mapa da cidade pra se localizar mais facilmente;

­- Plaza de La Catedral: onde se localiza a mais importante igreja de Havana, a Catedral de San Cristóbal, construída no século XVIII. Há uma lenda urbana de que as relíquias de Cristóvão Colombo estão lá, mas não há confirmação alguma disso. A praça é linda, e tem alguns restaurantes (um bem famoso chama-se El Patio);

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Catedral de San Cristóbal

- Plaza de Armas: praça que concentrava os eventos militares. É bonita, arborizada, tem prédios lindos ao redor e também uma feira de livros bem famosa. Ao final dela se localiza o Castillo de la Real Fuerza, um forte construído para a defesa da cidade, mas que nunca chegou a ser usado, já que tinha uma péssima posição estratégica (foi construído muito longe da baía). É lindo, e dali se tem uma ótima visão do Cristo de Havana, uma estátua de mármore de 20 metros de altura que abençoa a cidade;

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O Cristo de Cuba, assim como o nosso do Rio de Janeiro, abençoando a cidade. Mas esse não tem os braços abertos!

- Plaza de San Francisco de Asís: uma das muitas praças da cidade, famosa pela igreja de São Francisco e uma bela fonte de mármore, a Fuente de Los Leones;

- Plaza Vieja: certamente uma das praças mais famosas da cidade. Surgiu originalmente no século XVI com o nome de Plaza Nueva, e era o local das procissões, touradas, execuções e festas de Havana, até que quase desapareceu na década de 50. Hoje está restaurada, e concentra nos seus arredores muitos restaurantes e bares. É ali também que se localiza a Camera Obscura, de onde você tem uma visão geral da cidade por meio de um instrumento. Custa CUC$2 e o guia fala diversas línguas, inclusive português;

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Plaza Vieja

- Capitolio: construído em 1929, parece bastante com o de Washington. Foi durante bastante tempo a sede do governo cubano, mas hoje abriga a Academia de Ciências de Cuba e o Museu de História Nacional. Quando eu fui, em 2010, o prédio estava aberto para visitação, mas parece-me que hoje se encontra fechado para reformas. É uma construção linda, imponente, com sua cúpula imensa e uma estátua inspirada na deusa Atena em tamanho bem grande, “La Estatua de La República”. O prédio é realmente lindo, mas estava um tanto quanto abandonado em algumas áreas, realmente precisava de uma boa reforma. De toda forma, é parada obrigatória para uma sessão de fotos!

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Capitólio de Havana, inspirado no americano

- Museo de La Revolución: é um museu dedicado à Revolução Cubana. Mais parece uma exaltação ao Regime de Fidel, e possui em seu acervo veículos e tanques de guerra usados na guerra, e até uma parte denominada “Rincón de Los Cretinos”, onde zombam dos presidentes americanos Bush, Reagan, e do ex-presidente cubano Fulgêncio Batista. É interessante, mas dispensável.

Saindo de Habana Vieja, não se pode deixar de visitar a Plaza de La Revolución. É lá que os grandes eventos políticos acontecem em Havana. A praça já foi palco de muitos comícios, discursos intermináveis de Fidel, até de missa durante a visita do Papa João Paulo II à cidade. Muitos dos edifícios públicos de Havana se localizam ali, e os prédios com as figuras de Che Guevara (“Hasta la Victoria siempre”) e Camilo Cienfuegos são bem famosos. Ali também está o Monumento a Jose Martí, um obelisco bem no meio da praça, com mais de 100m de altura. Outro passeio imperdível é o Malecón, a avenida da praia, que é toda murada e se estende por 8km da costa. Passear pelo calçadão no fim de tarde é uma delícia!

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Plaza de La Revolución, com o Monumento a José Martí e o famoso prédio com o rosto de Che Guevara

Por enquanto é isso… No próximo – e último – post sobre Cuba, vou falar um pouquinho dos símbolos cubanos, o rum e o charuto, além, claro, de restaurantes e bares de Havana. E também falo um pouquinho de Varadero, com suas praias lindas e seus resorts.

Um grande beijo e até lá!

by Maria Farnesi

5 comentários sobre “Cuba – O que fazer em Havana

  1. Pingback: Cuba – Varadero | Amigas Viajantes

  2. Excelente a sua descrição, com riqueza de detalhes e muito mais informativa do que em qualquer outro lugar que tenha procurado! O resto é só vivenciar para sentir e interpretar, muito pessoal.

    • Que bom que gostou, Joacilda! É exatamente isso o que eu acho, cada um que vivenciar a experiência de conhecer Cuba vai tirar suas próprias conclusões, é tudo muito pessoal mesmo. Mas com certeza eu gostei muito de ter ido :) Muito obrigada! Beijos

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